Historic Endurance: Oitenta e três carros, quatro corridas e a intensidade de outros tempos

O Iberian Historic Endurance, que no Algarve Classic Festival reuniu a maior grelha de partida dos catorze anos da sua história, com oitenta e três carros inscritos, não desiludiu: quatro corridas recheadas de interesse animaram quantos marcaram presença no evento que trouxe oito mil espectadores ao Autódromo Internacional do Algarve.
O elevado interesse suscitado pela principal competição ibérica dedicada a carros de Turismo e GT históricos até 1976 obrigou a uma solução que permitisse acolher todas as equipas inscritas. A grelha foi, assim, dividida em duas: o Historic Endurance 1 (HE1), destinado às categorias Gentleman Driver Spirit (GDS) e H-1965, e o Historic Endurance 2 (HE2), reservado às categorias 1965 GTP & SC, H-1971 e H-1976.
O vencedor do Index de Performance, tradição que há muito faz parte do Historic Endurance, foi determinado pelos resultados da primeira corrida do HE1, cabendo-lhe um exclusivo relógio da prestigiada marca suíça Cuervo y Sobrinos, parceira da competição.

Historic Endurance 1
A presença de mais de cinquenta viaturas fez de ambas as corridas das mais curiosas de acompanhar, e ricas em pontos de interesse. Com um andamento muito semelhante entre as máquinas, a primeira corrida terminou com uma “dobradinha” de Shelby Cobra Daytona, com a dupla Olivier Muytjens/Brice Pineau a cortar a meta à frente de Jac Meeuwissen/Ties Meeuwissen. Connor Kay e Dominic Mooney, num Lotus Elan 26R, completaram o pódio. Foi esta, igualmente, a classificação dos H-1965.
Contudo, ao contrário do que dizem os resultados finais, as primeiras voltas foram dominadas pelos Jaguar E-Type, primeiro pelo exemplar de Laurent Jaspers, depois pelo carro de Rhea Sautter e Andrew Newall. Na segunda metade da corrida assistiu-se à ascensão dos Cobra Daytona, com o carro da HY Racing a ultrapassar o idêntico da Rhea Sautter Motorsport à décima quarta passagem, rumando ao triunfo.
A segunda corrida voltou a ter os mesmos protagonistas no topo da classificação. Desta vez, porém, a entrada do “Safety Car” por duas vezes nos últimos vinte minutos juntou os líderes, o que deu ao espectáculo uma incerteza suplementar, com três carros a passarem pela primeira posição: o Jaguar de Rhea Sautter e Andrew Newall e os Cobra Daytona de Jac Meeuwissen/Ties Meeuwissen e de Olivier Muytjens/Brice Pineau. No final, o duo Muytjens/Pineau mostrou-se o mais forte, superando o carro dos Meeuwissen, com Connor Kay e Dominic Mooney, num Lotus Elan 26R, a fecharem um pódio exactamente igual ao da primeira corrida.
Na GDS, o contingente das ilhas britânicas, com os seus Mini Cooper S em número recorde (treze à partida), esmagou a numerosa concorrência. Jeffrey Smith, num Austin Mini Cooper S, venceu a primeira corrida à frente dos conterrâneos Phil Bullen-Brown e Daniel Wheeler. Na segunda, Phil Bullen-Brown festejou a vitória com champanhe, à frente de Ryck Turner e Mark Burnett.
No Index de Performance, a vitória sorriu aos britânicos Robin Ellis e Andy Wolfe, num Lotus Elite, que levaram para terras de Sua Majestade um exemplar exclusivo da prestigiada marca suíça Cuervo y Sobrinos. Em segundo terminou a dupla de pai e filho Rui Macedo Silva/João Macedo Silva, num Lotus Cortina, ao passo que Ellie Birchenhough/Jason Jesty, num Austin Mini Cooper S, ficaram em terceiro.

Historic Endurance 2
A grelha destinada às viaturas das categorias GTP & SC, H-1971 e H-1976 foi a primeira a abrilhantar o dia de sábado. Sem surpresa, os Ford GT40, que largaram da primeira linha, tomaram a dianteira. Com um ritmo forte, Paulo Lima dominou a primeira metade da prova, mas a entrada do “Safety Car” reduziu a nada a vantagem do piloto da RP Motorsport. Depois das paragens nas boxes, o carro idêntico da dupla inglesa Alex Collins e Martin Stretton, que arrancara da pole-position, conseguiu recuperar a primeira posição e venceu a corrida, à frente de Paulo Lima. O britânico Tom Canning, num Ginetta G10, completou o pódio da corrida e da classe GTP & SC, numa prova em que não teve argumentos para acompanhar os carros da marca do oval azul.
Patrick Wilwert e Philippe Vermast foram os quartos a ver a bandeira de xadrez, numa corrida em que o muito bem preparado Alfa Romeo GT Am esteve noutro patamar face à concorrência da categoria H-1971 nos momentos decisivos. Menos de um segundo separou, na meta, o carro italiano da Ecurie Luxembourg do segundo classificado da classe, o GT Am preparado pela Curated Garage e conduzido por Volker Hichert. Não muito longe, o trio Piero dal Maso, Guilherme dal Maso e José Carvalhosa, num Porsche 911 2.5 ST, terminou em terceiro.
No coração da luta dos H-1971, e classificado entre os dois Alfa Romeo, o vencedor da classe H-1976 foi o Porsche 911 2.8 RSR de Robin Ellis, carro assistido pela JWA Racing, equipa que já competiu no FIA WEC. O pódio da categoria teve duas novidades: Eduardo Reis, num Porsche 911 2.7 RS, em segundo, e Carlos Santos, num Ford Escort Mk1, em terceiro.
A segunda corrida teve um início semelhante ao da primeira, com os dois GT40 a fugirem na frente da contenda e o Ginetta logo atrás. À segunda volta, porém, uma avaria na alavanca da caixa de velocidades ditou o abandono de Tom Canning. Paulo Lima, desta vez, liderou até ao fim de uma prova que, já perto do termo, teve um “Safety Car” a reagrupar o pelotão. Mesmo assim, aguentou o primeiro lugar, que só perdeu depois de ver a bandeira de xadrez, por penalização devida ao incumprimento do tempo de paragem obrigatória nas boxes. Um segundo a menos atirou-o do primeiro para o terceiro lugar.
Assim, Alex Collins e Martin Stretton, que fizeram a melhor volta da corrida na derradeira volta dos cinquenta minutos de intensa competição, foram novamente os vencedores.
Na segunda posição terminou o pequeno e ágil Merlyn Mk4 de Carlos Barbot e Filipe Campos. O duo da Foguete Racing fez uma corrida de trás para a frente, sempre a subir posições, depois de ter arrancado do fim da grelha por não ter realizado qualquer volta na corrida de sábado.
Manuel Domingues, no seu Ford Escort RS1600, venceu na classe H-1971, merecido triunfo que lhe escapara na primeira corrida. O piloto da ASM Team manteve o sangue-frio no reinício, face à pressão de Patrick Wilwert e Philippe Vermast, que terminaram em segundo. Michel Welter e Felix Feltes, num BMW 2002, acabaram por ser os terceiros classificados da classe, depois de um duelo muito interessante, nas voltas iniciais, com o Alfa Romeo Ti Super de Paulo Rompante.
Robin Ellis foi o sexto classificado da geral e fez o pleno na categoria H-1976, numa corrida em que destacou na sua classe. Em fim de semana de estreias, Rui Garcia e António Carmona, num Ford Escort RS2000 Mk2, foram os segundos classificados, na primeira vez em que subiram ao pódio da competição de matriz ibérica. Não foram, porém, a única dupla a estrear-se no pódio da classe: uma corrida isenta de percalços levou Pedro Carvalho e Edgar Botelho Moniz, num BMW 2002, ao terceiro lugar.
A temporada de 2026 do Historic Endurance prossegue já no próximo fim-de-semana, num dos regressos mais esperados do ano, a um dos históricos circuitos da Península Ibérica: o Circuito de Jerez-Ángel Nieto, em Espanha. A prova do Jerez Iberian Racing Festival antecede o final da temporada, agendado para 4 e 5 de Dezembro, no Autódromo do Estoril, com os tradicionais 250km do Estoril.



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